Símbolos de Limiar

O que é um símbolo de limiar?

Nos sonhos, às vezes, estamos passando dum estado de consciência para um outro – ou até do "mundo dos vivos" para o "mundo dos mortos". Não podemos fazer isso sem um certo esforço interior – poderíamos dizer que nesse caso nós temos que "adaptar" interiormente. Pode ser entendido como inversão interior. Por causa dessa inversão, passamos um tipo de fronteira entre duas dimensões interiores (= estados de consciência). Encontramos essa fronteira simbolicamente como limiar. Se a transição é abrupta, o limiar vai ser de duração curta, por eemplo um portal, uma janela etc. Se a transião ocorrer gradualmente, fazemos uma "viagem simbólica" – por exemplo numa barca ou num trêm – para a outra área.

 

Quais tipos de limiares existem?


  • Limiares entre o mundano e o transcendente

    "Cheguei a uma porta. Abri a porta e passei por ela. De novo, cheguei a uma porta fechada. De novo, a abri e passei por ela. Em seguinte, cheguei a uma terceira porta. Atrás dela, eu pude ver uma luz magnífica e infinitamente vasta. Quis abrir essa porta também, mas de repente ouvi uma voz dizendo: ‘ainda não’." (V.)

 

  • Limiares entre o presente e o futuro

    Quando períodos de tempo devem ser pulados durante a transição entre dois estados (por exemplo quando você entra em períodos passados da vida), isso pode ser simbolizado da seguinte forma:

    - folhear um livro

    - álbum de fotos

    - filme

    - símbolos abstratos "sagrados e cósmicos"

 

  • Limiares entre o consciente e o inconsciente (memórias esquecidas)

    As esculturas vivas

    "Fugindo de um perseguidor, cheguei a um arco duma porta. Quando passei pelo arco, uma coisa estranha aconteceu. Senti como se eu estivesse acordado, porque de repente pude pensar extraordinariamente claro, e todas as emoções se tornaram mais intensivas. Entrei num pátio amplo, cercado de edifícios altos e ornados com esculturas e relevos. Sob o meu olhar, as esculturas despertaram para a vida e viraram os rostos para mim, se tornando cada vez mais vivas e coloridas." (V.)

    O golem

    "Estava sozinho numa paisagem montanhosa, pedregosa e húmida. Andei pelo ambiente como se eu estivesse procurando uma coisa. Observei tudo e descobri uma caverna estreita. Estava muito estreita mesmo, mas eu tinha o impulso de entrar e explorar o que havia dentro.

    Entrei com dificuldades. Quando estava dentro, pude ver degraus que davam para baixo. Com as mãos esticadas, eu tateei meu caminho pela caverna, cerca de 20 metros para baixo. De repente, estava em frente duma porta grande de pedra, ou talvez mais um tipo de placa de rocha; assim eu tive que parar.

    Com um gesto mágico das mãos, pude abrir a porta. Entrei e depois estava numa sala de tamanho médio. No centro dessa sala, uma coisa grande estava deitada, coberta de folhas e galhos. Tinha um comprimento de cerca de dois metros e meio. Quando me aproximei dessa coisa, vi que era um Golem (um ser humano artificial, feito de argila). Os contornos do seu rosto mal eram visíveis, o perfil ainda não estava formado.

    Eu pensei se eu pudesse dar vida ao Golem e como eu poderia fazer isso, mas antes que eu pudesse pensar melhor, o estado acabou."

 

  • Limiares entre infância e maturidade

    "Eu tinha que atravessar um rio. Procurei por uma ponte, mas não havia ponte. Era pequeno, tinha cerca de cinco anos. Eu não sabia nadar. De repente, vi um homem alto e escuro. Ele fez gestos com a mão de maneira a dizer que ele poderia me carregar nos braços dele. Nesse momento eu fiquei muito feliz e o deixei me carregar. Mas subitamente, eu entrei em pânico. Eu sabia: se eu não fugisse dele, eu morreria. Já nos aproximamos do rio, mas enfim eu me enchi de coragem e pulei dos braços do homem para a água. Primeiro, eu achei que eu fosse me afogar, mas finalmente eu comecei a nadar e logo eu cheguei à outra margem. O homem já havia sumido."

    (Citado de: Erich Fromm, "Märchen, Mythen und Träume", p. 168, 1981. Não tem versão portuguesa)

     

  • Limiares para recordações e emoções recalcadas

    Muitas vezes, o encontro com limiares que demarcam áreas de recordações recalcadas geram formas diferentes de medo. As imagens simbólicas desses limiares parecem perigosas e insuperáveis. Em muitos casos, os limiares aparecem em forma dum "Guardão do Limiar" agressivo, porque a área atrás do limiar é uma zona tabu, um aspeto que pode estar em conflito com a moral ou com o nosso cotidiano (por exemplo, um tema como "o mundo dos mortos". Temas como esses criam medos e assim um "limiar psíquico"). Mas se nós nos confrontarmos com esses limiares com coragem, e se nós conseguirmos integrar a atitude relacionada (qual é, muitas vezes, ligada a uma experiência que também tem que ser processada), assim o temor vai sumir e também a agressão dos guardões.

 

  • Limiares entre paradigmas e estilos diferentes da vida

    Aqui, como exemplo, um sonho no qual o país "Índia" representa o mundo desejado, religioso e perfeito (contrário ao cotidiano):

    "Estava numa paisagem maravilhosa, seguindo um caminho levemente subindo, sob o céu claro-azul e o sol brilhante. Eu estava cheio duma aura sacral, e depois duma curva, eu pude ver uma ponte que brilhava com luz. A ponte atravessia um rio grande num arco alto. De repente, uma criança apareceu, dançando alegremente, e me guiou para a ponte. Embaixo da ponte, tão profundo, o rio grande separava os países diferentes.

    Na outra margem ficava Índia. Esperançosamente entrei nesse país. A criança me deixou. Eu cheguei num vilarejo ao lado das montanhas." (S.)

 

  • Limiares entre dormir e acordar

    Num período de transição entre dormir e acordar, muitas vezes eu estou num trêm, sentado lá, esperando, às vezes falando com um outro viajante. Ainda no trêm – ou logo depois de descer do trêm – eu acordo. Isso acontece muitas vezes comigo. Essas viagens de trêm, bonde ou ônibus são fáses de transição enquanto estou acordando lentamente. Raramente, eu percebo que vou acordar a qualquer momento.

 

  • Limiares durante o adormecer

    Às vezes, quando adormecendo de novo cedo de manhã, eu também estou num trêm, numa viagem "para o mundo dos sonhos". Nesses limiares de adormecer, não há guardiões do limiar, porque é um estado natural. Parece que às vezes há pessoas que dão uma olhadela para verificar se tudo correr bem.

    Uns exemplos:

    "Estava no início duma ponte. Essa ponte havia aparecido enquanto eu estava adormecendo. A minha consciência normal do cotidiano se afastou cada vez mais, e eu continuei atravessando a ponte." (V.)

    "Estava meio adormecido. Parecia como se eu estivesse debaixo da água, mas mesmo assim, eu pude respirar. Tudo em volta de mim era de cor azul. Eu quis emergir e quase voei à superfície da água. Rompi a superfície, entrando numa área mais arejada. Mas de novo, tive que voar para cima. De novo, parecia que eu tinha que romper a superfície da água. Esse processo se repetiu muitas vezes: voar para cima, romper a superfície, voar de novo … até finalmente caí no sono." (V.)

    "Era o quatro dia depois da minha operação, às 4 da manhã. Eu tinha dormido bem, não estava com dor, e assim me senti muito bem. Fechei os olhos, relaxando o corpo, e depois adormeci. Acordei numa estação de trêm. Parecia que eu tinha descida do trêm pouco antes. De repente, a minha consciência esclareceu um pouco – eu estava semi-consciente. Pude ver as pessoas que passaram por mim, mas não consegui me orientar, porque eu estava arrastado por uma sucção. Voei para uma pessoa, sabia que essa pessoa foi o meu amigo S., mas pouco antes de eu puder alcançá-lo, acordei por causa dum outro paciente que fez um ruído."

 

  • Limiares entre o estado consciente e o transe

    Nesse caso, há guardiões indiretos do limiar que nos impedem de imergir mais profundamente no transe. Exemplos: comichão tão intensa que você mal pode aguentar; medo do desconhecido (mesmo que você esteja pronto para superar esses medos enquanto acordado).

    Um símbolo muito comum é o túnel. Ele não só é um símbolo onírico, mas também existe como imagem ou imaginação interior no xamanismo ou na projeção da consciência (OBE), porque a imagem do túnel é perfeitamente adequada para entrar em transe.

    "Cedo de manhã, eu fiz exercícios de sonhos. Nesse método, eu tentei entrar no sonho conscientemente (manter uma consciência clara = lucidez). De repente, surgiu um túnel escuro e quadrado na minha frente, como se uma porta tivesse aberto. Ao mesmo tempo, eu sabia que eu tinha feito o exercício com sucesso. Mas infelizmente, fiquei tão espantado que caí do transe." (V.)

    No exemplo seguinte, há outros símbolos que marcam o início dum estado de transe:

    "Eu fiz a imersão espiritual à noite como sempre. Quando me concentrei no Anahata Chacra para que eu pudesse entrar em transe, eu vi dois símbolos do limiar. O primeiro símbolo era um portal, o vi na altura do meu Anahata. Esse portal pareceu de estilo japonês, como se estivesse um portal para um jardim japonês. Tinha um aspeto muito agradável e convidativo. Uns minutos depois, ainda no mesmo estado de semi-transe, vi uma ponte. Até realmente senti que eu havia passado por essa ponte – parecia muito real por um segundo. Mas antes que eu pudesse chegar ao outro lado, deslizei na ponte. No momento em que eu deslizei, eu estremeci de susto e acordei. Mas logo depois, eu fui capaz de entrar em transe de novo. A cena com a ponte parecia uma cena hipnagógica, mas o símbolo da ponte era muito incomum e estou certa que era um símbolo de limiar, porque eu estava prestes a entrar em transe." (Corra)

 

Símbolos específicos de limiar


Portal, porta

A área atrás da porta e uma área relativamente perto de nós, porque a porta é uma entrada familiar para o ser humano, e pode ser aberto, contanto que você saiba como abri-lá.

  • porta aberta ou porta fechada: entrada permitida ou proibida

  • porta meio-aberta: semi-consciente, parcialmente recalcado

  • abertura da porta: é importante a maneira de abrir a porta; é um indício da maneira que nós usamos para superar o problema (por exemplo: com reflexão e pensar, com força bruta, com intuição [chave])

    "A minha tarefa era abrir portas numa casa. A primeira porta – feito de madeira – foi fácil de abrir. Para as outras portas, usei outro método. Abri-las lateralmente. Essas portas eram feitos de vidro, foram faceis de abrir com um formão. Eu fiquei espantado, porque foi tão fácil abri-las, e eu fui muito rápido. Parecia que essas portas eram duma joalheria, e com certeza havia pedras preciosas e jóias lá." (V.)

  • aparência: resistência/ solidez = nível de proibição; altura = ênfase da importância

  • várias portas: ênfase do portal/ da zona de fronteira. Pode ser importante observar a numerologia (por exemplo: 3 ou 7 = número mágico – ver contos de fadas)


Os sete salões (Sonho Lúcido)

"Entrei num prédio com sete salões, cada salão com um perigo específico. Eu sabia que eu não devi olhar nem para a esquerda, nem para direita, eu somente devi olhar em frente para o caminho. Fiz isso, imperturbável, apesar do clamor e das silhuetas, as quais eu pude ver pelo canto do olho. Assim eu fui capaz de passar pelos sete salões. No fim do último salão eu abri uma porta para uma paisagem maravilhosa e pacífica." (V.)


Imagem

Uma imagem é semelhante a uma pequena janela – ela nos permite ver a outra área, mas normalmente, ela não nos permite o acesso (mas o acesso é possível se você olhar a imagem com interesse, quase imergindo nela).

A imagem no mosteiro

"Entrei num prédio que parecia ser um mosteiro. Lá eu pude ver as atrações diferentes – eram pinturas e esculturas ocidentais. De repente, encontrei numa porta uma imagem que mostrava Ramana Maharishi. Fiquei espantado. Surpreendido, eu me perguntei como essa pintura tinha acabado por chegar aqui. Não era uma pintura comum, parecia mais como se fosse uma placa de vidro, lapidada e colorida. O rosto de Maharishi era cercado duma auréola na forma dum mandala. Ao mesmo tempo, essa imagem também representava um tipo de portal. Mas eu não sabia aonde o portal podia levar."


Janela

A janela é semelhante à imagem, com uma diferênça: a área que podemos ver está mais perto – porque não é somente uma representação (como a imagem), mas é "real". Enquanto a porta leva a uma área que nos permite agir, a janela dá a possibilidade de reconhecimento (em sentido de "ver", mas não em sentido de "tocar").

A janela panorâmica

"Junto com pessoas que eu não conhecia, estava sentado numa sala semicircular que parecia uma arena. Na minha frente havia uma janela panorâmica gigante. Através da janela, pude ver uma paisagem maravilhosa, com morros verdes e azuis, e em outras cores que não existem no mundo físico. Também pude ver um monte em cores suaves, com uma luz suave acima. Estava cheio de paz profunda (o meu nível de consciência era bem alto)." (V.)

  • vidro opaco: percepção perturbada (consciência perturbada)

    Limpeza de janelas

    "Estava limpando as janelas. Mas depois de várias tentativas, elas ainda estavam opacas. Assim, eu limpei de novo. Finalmente elas ficaram limpas e claras. Através das janelas, pude ver uma praça, onde havia uma apresentação dum grupo de teatro num pódio. Os atores vestiam trajes variados. Eu achei: ‘Que legal, que as pessoas que moram aqui podem assistir ao teatro através das janelas’." (V.)


Cortina

A cortina é uma coisa que cobre, mas é fácil empurrá-la. Às vezes ela também tem a caraterística duma cortina do teatro – nesse caso, ela não somente é um limiar mas também uma ênfase do cenário seguinte "no palco" (no sonho).

A cortina do tempo

"Num sonho, eu olhei – quase por acaso – através duma janela. Um bonde passou, mas não havia nenhum som, o que me deixou surpreendido. De repente, uma cortina magnífica e pesada cobriu toda a imagem. Logo depois, ela se abriu de novo e eu vi uma paisagem totalmente diferente. Homens, vestidos com uniformes de conquistadores, lutavam uns contra os outros. Eu vi um homem jovem cair, ele parecia estar gritando, mas outra vez, eu não pude ouvir nada. Eu estava semi-consciente e tentei de observar e memorizar todos os detalhes da cena. De novo, a cortina cobriu o cenário, e se abriu depois. Agora pude ver outra cena. Era dos tempos ainda mais antigos, mas eu não me lembro do que eu vi." (V.)


Olho

Às vezes ocorre na magia como símbolo de limiar. Também pode aparecer como símbolo de limiar durante exercícios de visualização ou meditação. Eu não recomendaria entrar num tal olho vivo, porque simbólicamente o olho é um portal para outra consciência.


Névoa

Também ver Os quatro Elementos, "névoa"


Muro

O muro é um obstáculo sólido, que sómente pode ser superado por uma porta (simbólicamente: solução para a dificuldade) ou por superação da gravidade (voar, escalar).

  • face da rocha: aumento do símbolo "muro".

    "O meu avô faleceu há cinco anos. Eu tive o sonho seguinte pouco antes do Dia de Todos-os-Santos. Esse sonho foi incomum para mim, porque eu nunca sonho sobre pessoas falecidas.

    Nesse sonho, eu quis visitar o meu avô numa casa no centro histórico de Linz. O ambiente parecia familiar (mas não era muito parecido com o centro histórico real dessa cidade). Procurei a rua na qual o meu avô morava, mas uma face de rocha bloqueava o meu caminho. Eu achei uma fenda no granito, passei por ela e depois estava numa rua ensolarada. Mas ainda não era a rua que eu estava procurando. De novo, uma face de rocha bloqueava o caminho. Nesse momento, a minha consciência estava um pouco mais clara e eu pude imaginar a casa real do meu avô, como ela realmente era quando o meu avô ainda estava vivo. Enquanto essa memória se tornava mais preciso em minha cabeça, eu percebi que havia um túnel na rocha, que o meu avô tinha cavado (agora eu me lembro que ele realmente escavava um abrigo antiaéreo quando ainda estava vivo). De repente, o meu avô estava ao meu lado. Nós ficamos muito felizes com esse reencontro e conversamos um pouco."

Rio

O rio é uma fronteira ou um obstáculo para uma outra área.

Essa outra área pode representar vários aspetos: realidade versus fantasia, mundano versus transcendência, presente versus passado, infância versus maturidade etc. Em qualquer caso, estamos ligados a essas áreas pela alma e pelo coração, e não é possível para nós chegar à outra margem sem que estejamos tocados emocionalmente. Enquanto o abismo e a montanha têm uma ênfase especial na vertical (obstáculos em relação à clareza de consciência: o inconsciente = pouco claro, ocultado; o superconsciente = claro), o rio tem uma ênfase na horizontal. A dinâmica do rio é um indício do tempo que passa, ou um indício do fluxo dos acontecimentos. A mesma coisa aplica ao rio Aqueronte, que divide o mundo dos vivos do mundo dos mortos na mitologia grega.

  • vadear: mesmo que estejamos atravessando a água nesse caso, a terra ainda está presente como elemento fundamental. Simbólicamente: a água representa emoções, ligadas com uma experiência certa; assim essa experiência está perto do consciente e a outra margem (= o conteúdo psíquico aonde você chega) é mais facilmente acessível – mas só com muito esforço, dependente da largura do rio e da intensidade da corrente.

  • mergulhar para chegar à outra margem: camadas mais profundas da psíque tem que ser atravessadas

  • nadar para a outra margem: nesse caso, estamos cercados da água, mas só na superfície; simbólicamente: para chegar à outra margem, é necessário superar as emoções, mas não é preciso descer para as camadas mais profundas do subconsciente

  • barca: nesse caso, a travessia é possível com a ajuda duma outra pessoa (em forma de terapeuta, amigos, pais etc., ou em forma do "guia interior", que pode ser entendido como aspeto espiritual da pessoa ou como apoio do mundo transcendente)

  • ponte: ela significa que já há um caminho sólido (= a nossa área normal da consciência) para atravessar o rio (= a água, as emoções, a dinâmica interior). Os problemas em frente de nós (o rio) podem ser superados com a razão (mente/ ar).

    Rio muito largo, mar

    "Durante uma certa doença, eu tinha alguns sonhos muito curiosos, que contêm o mundo além: Junto com inúmeras pessoas, eu me preparei para a travessia do oceano. Uma viagem maritíma, uma viagem cósmica – por vastidões desconhecidas – era esperada por todas as pessoas que estavam lá. Para mim, parecia que a duração da travessia não se podia medir em horas ou dias, mas em épocas. As pessoas estavam viajando em barcas inúmeras, em navios, até em jangadas. Finalmente cheguei na outra margem, numa terra desconhecida, e eu me pus a caminho para aprender tanto quanto possível … "


Ponte

A ponte é uma ligação entre duas áreas diferentes (ela supera contrastes).

Ela também pode se tornar um ponto de encontro (com um representante da outra área). Na mitologia germânica (e também em outras culturas), há uma ponte que leva aos céus – o arco-íris. A ponte também pode ser um símbolo da relação com uma outra pessoa (exemplo: para superar as diferenças entre duas pessoas).


Montanhas, Serra

A serra é uma fronteira. Mesmo que ela pareça muito alta e invencível, ela pode ser superada por meio de esforço e perseverança.

Muitas vezes, é provável que há um lugar mais alto atrás das montanhas, porque a montanha escalada simboliza uma elevação da consciência. Montanhas/ serra e abismo/ barranco são obstáculos na vertical, isso significa: obstáculos do nível da consciência. Simbólicamente (ou na religião) eles levam ao céu ou ao inferno.


Abismo, barranco

Um barranco simboliza uma proibição – a terra na outra margem não deve ser entrado. Se a pessoa não autorizada tentar entrar nessa terra mesmo assim, ela arrisca cair no fosso e ser exterminada (os "abismos da mente"). Para superar o barranco, a pessoa tem que descer lentamente nas profundezas da consciência – e confrontar-se com as mensagens dessa profundidade de si mesmo.


Fronteira nacional

Na fronteira nacional, o obstáculo real não é a dificuldade do caminho, mas uma autoridade. Depende da aceitação e permissão dessa autoridade se a pessoa poder atravessar a fronteira ou não.


O cemitério na fronteira

"Viajava pela Suíça, de trem. A paisagem parecia muito com a paisagem Suíça verdadeira: uma região montanhosa, com prados verde-pálidos, céu cinzenta, um pouco nublado. Depois, o trêm atravessou a fronteira para Áustria. Perto da fronteira havia um cemitério. Lá haviam túmulos no prado, com cruzes feitas de galhos de bétula. Atrás de cada cruz, crescia um arbusto grande, florescendo. As florações eram amarelo-douradas, e parecia que elas respiravam. Eu fiquei cheio de alegria e surpresa." (V.)


Nadando pelo rio Danúbio

"Eu estava num trem que viajava em direção da República Checa, que ainda era comunista naquele tempo. O trem parou numa estação na Áustria. Eu segui dois homens que fugiram e nadaram no rio Danúbio. Um ‘instrutor’ do trem tentou correr atrás de mim, mas não conseguiu me alcançar. Eu também nadei no Danúbio. Na outra margem havia uma cerca. Um homem se ofereceu para abrir a porta da cerca, para que eu não tivesse que trepar nela. Depois, eu andei junto como esse homem por algum tempo; eu confiei nele e fiquei feliz porque ele tinha me ajudado." (V.)


Escada

"Descida para o inferno/ o abismo". Nesse caso, muitas vezes são escadas de porão que levam a salas ou quartos negligenciados e labirínticos, cheio de poeira e tralhada.

"Junto com algumas outras pessoas de Florisdorf, eu desci para o porão. A casa toda parecia diferente do que era normalmente. O porão parecia conter vários andares. O caminho nos levou cada vez mais profundo no mistério, mas lá embaixo havia uma coisa muito perigosa, eu pude senti-la. Eu tive muito medo." (V.)

"Quando eu era mais jovem, eu muitas vezes tinha sonhos nos quais eu descia muitos andares numa casa grande. Às vezes eu descia escadas em caracol ou escadarias quadradas. Quanto mais profundo eu andava, mais escuro ficava o ambiente e mais medo eu tinha. Num certo sonho, eu tive tanto medo que eu comecei a chorar. De repente, uma tartaruga muito antropomórfica apareceu e me ajudou achar um caminho." (Corra)


Túnel

Um caminho que passa pela área do inconsciente.

"Junto com um companheiro, eu passei por uma estação ferroviária grande. Chegamos a um tipo de abóbada arqueada – uma estação que era parecida com um túnel. Lá, havia muita coisa inútil. De repente, houve um sobressalto, e a sala de espera começou a se mover. As paredes se dissolveram, caindo no chão, e nós nos movemos pelo túnel até chegamos a uma paisagem clara e brilhante, em cores indescritíveis, como se o crepúsculo se aproximasse. Ao lado dos trilhos, pude ver inúmeras esculturas, cada uma com um aspeto simbólico. Passamos por uma cumeada, com vista para a vasta paisagem." (V.)


Cruzamento, encruzilhada

A encruzilhada é um ponto mágico de encontro, a bifurcação é um ponto mágico de decisão. Isso não só aplica aos sonhos, mas também pode ser encontrado em relatórios de pessoas que visitaram o mundo além ou de videntes.

Aqui um relatório de uma pessoa que pode ver espíritos:

"Na noite de São Silvestre, 1941/ 42, ela caminhou no Harz [serra na Alemanha], numa paisagem coberta de neve. Numa floresta de pinheiros, ela chegou a um ponto onde três trilhas diferentes se encontravam. De um desses caminhos nublados, ela pôde ver uma procissão infinita de soldados – todos eles desapareciam na névoa de novo. Ela percebeu que não tinha pegadas na neve. Os soldados usavam capacetes de aço, mas não tinham armas. Era possível reconhecer os patentes e as cores deles. A maior parte deles não tinha rosto. O rosto deles parecia como névoa. Mas alguns poucos – aqueles que ela conhecia – podiam ser vistos. Alguns deles já tinham sido mortos na guerra, também outros que ainda não tinham sido mortos até então – mas que morreram logo depois (uns meses mais tarde) – e além outros que ainda não tinham sido recrutados naquele tempo, mas no momento estavam sendo recrutados. A procissão era infinita. Ela pôde observá-la durante mais de uma hora."

(Karl Schmeing, "Seher und Seherglaube", Themis Verlag, Darmstadt, 1954, p. 40. Não tem versão portuguesa)


Trem, ônibus etc.

Ver o parágrafo "Limiares entre dormir e acordar", e também o capítulo Veículos e Locomoção


Estados transitórios

Ocorrem muitas vezes em métodos de transe, às vezes também nos sonhos.

  • névoa

  • escuridão

  • silêncio

  • mosaicos, véus coloridos

 

 

© Alfred Ballabene (Viena) traduzido por Corra